CORDILHEIRA DOS ANDES

14/11 - terça-feira
Em 1975, passei cinco dias em Bogotá, um dos quais reservei para conhecer a cidade de Villavicêncio, capital do departamento de Meta. Situada no sopé da Cordilheira dos Andes, a 90 quilômetros da capital colombiana, ir a Villavicêncio foi um agradável passeio feito em ônibus de linha, a partir de Bogotá. No estilo bate-pronto, indo e voltando no mesmo dia. Com a continuidade da excursão, ainda me aconteceu de sobrevoar os cumes nevados dos Andes em duas oportunidades: indo de Bogotá a Quito, onde passei três dias, e ao prosseguir a viagem de Quito para Lima.
Agora, retorno à Cordilheira, desta vez acompanhado de Elba, para a realização de um novo passeio andino. Um passeio panorâmico nos Andes Centrais chilenos, margeando o Rio Mapocho e com paradas previstas em Valle Nevado e Farellones.
Em linha reta, a distância entre o centro histórico de Santiago e o Valle Nevado é 32 quilômetros. No entanto, a subida de um local com 500 metros de altitude para outro situado na montanha, com 3.100 metros de altitude, faz com que a distância e o tempo de viagem se tornem bem maiores.  E a estrada de acesso, mesmo estando sem neve no atual período, requer boa experiência de quem dirige o veículo. É estreita e tem um total de 62 curvas íngremes e fechadas até chegar ao centro de esqui de Valle Nevado. E quem dirige também precisa tomar cuidado com os outros veículos que trafegam em sentido contrário e com os ciclistas de alta performance que pedalam pelo caminho. 
Elba, en el Valle Nevado (no muy cubierto de nieve) 
Por não estar no inverno, os equipamentos da estação de esqui de Valle Nevado não estavam funcionando. Apenas uma loja que vende roupas de inverno e acessórios para neve estava aberta a eventuais compradores. E seus hotéis também estavam fechados, embora os visitantes possam circular livremente pelas áreas comuns da estação. Condores foram vistos pousados em telhados de onde decolavam para os voos que eles fazem aproveitando as correntes aéreas. Parecem urubus crescidos, com os machos podendo ser identificados pelo anel de penas brancas que ostentam no pescoço, além de serem mais corpulentos do que as fêmeas.
No começo da tarde, conforme a hora combinada, retornamos à van que nos levaria a Farellones. Além de uma estação de esqui (também temporariamente fechada), existe no lugar um vilarejo. Com casas, escola e um pequeno comércio. No único restaurante de Farellones, almoçamos. Ou, pelo menos, tentamos fazê-lo. Pensem na qualidade da comida. Diante das minhas justas reclamações, a dona do estabelecimento aquiesceu em que eu não pagasse a propina (ora, esta é só sugerida no Chile).
Farellones e sua vizinha El Colorado são duas estações de neve perto da capital chilena. Muito antigas, foram desde sempre uma área de lazer para os amantes da natureza e dos esportes de inverno que viviam em Santiago – e que passaram a construir casas de fim de semana, e assim fizeram surgir estes dois vilarejos de montanha.
E a volta para Santiago, principalmente para o desespero de uma turista em pânico, pareceu mais demorada. Restou-me continuar vendo as florzinhas amarelas típicas da região que, contrastando com a cor cinza das  montanhas, chegavam a formar tapetes nas encostas, tal a quantidade delas; as minicachoeiras produzidas pelo degelo dos glaciares (que preparam o Rio Mapocho para sua passagem por Santiago, a caminho do Pacífico); e, à beira da estrada, uma raposa da tarde, hesitante entre fugir e se aproximar de nós (teríamos algum petisco para ela?).
(a ser continuado)

VIÑA DEL MAR E VALPARAÍSO

13/11 - segunda-feira
Partindo de Santiago, a principal via de acesso a Viña del Mar e Valparaíso é a Ruta 68, a qual também  passa pela comuna de Casablanca. Mas antes de chegarmos a esta rodovia, tivemos de percorrer algumas avenidas de Santiago do Chile, como a Los Conquistadores, e de passar pelo túnel de San Cristóbal, um sistema de dois túneis que cruzam no sentido norte-sul o Parque Metropolitano da cidade.
A construção da Ruta 68 teve um grande impacto na forma de viver de grande parte dos chilenos. Esta rodovia liga duas das três áreas urbanas mas populosas do país: a Grande Santiago e a Grande Valparaíso, sendo a rota terrestre mais transitada do Chile.
Em certa altura da viagem vimos uma massa de névoa a se deslocar no rumo de Santiago. A guia turística Miriam explicou que esse tipo de névoa surge no oceano, passa por sobre a Cordilheira da Costa e, sem trazer algum benefício direto à poluída Santiago, vai esfriar a Cordilheira dos Andes.
Entre os quilômetros 69 e 72 da Ruta 68 fica Casablanca, uma região de vinhedos. Em alguns deles, a gente vê cultivos de rosas brancas e vermelhas. Os rosais, que costumam ser atacados por parasitas antes das parreiras, servem para alertar os vinicultores da iminência de uma praga nas parreiras. As rosas brancas sinalizam as parreiras de uvas brancas e as rosas vermelhas, as parreiras de uvas para vinhos tintos. Faz sentido.
No Rio Tinto, uma tienda de vinos, o nosso grupo parou para uma sessão de degustação de produtos da casa.
Elba, fotografada no Rio Tinto, no Valle Casablanca
Viña del Mar
Conhecida como a "cidade jardim", Viña del Mar encanta por suas belezas naturais, o que inclui a sua longa orla no Oceano Pacífico. Sua estética urbana mistura prédios modernos com mansões e castelos que adornam a cidade. Pertenceram a ricas famílias de antanho e alguns destes foram transformados em museus e centros de diversão. Como o glamoroso Casino Municipal, imperdível para quem gosta de jogos de azar (não é o meu caso).
O blogueiro, fotografado em frente ao relógio das flores de Viña del Mar
Em frente ao Museo Fonck há uma estátua da Ilha de Páscoa. É o único moai que existe fora do local em que foi esculpido.
A gastronomia da cidade é baseada em peixes e frutos do mar. Fomos conferi-la no restaurante Chez Gerald.
Viña del Mar é, por excelência, a comuna chilena que aloca mais recursos para o turismo em termos de hotéis, festivais, embelezamento urbano etc. Seja graças à sua proximidade com Santiago (120 km) ou por sua localização privilegiada dentro do Grande Valparaíso e da área portuária, é um dos locais mais importantes para a economia chilena. Em fevereiro, acontece anualmente o Festival Internacional da Canção de Viña del Mar, um dos mais importantes da América Latina.
Valparaíso
Após o almoço, fomos a Valparaíso.  A cidade se caracteriza por morros (42) com vistas para o Oceano Pacífico. Tivemos a impressão de que ali estávamos num imenso anfiteatro A distribuição geográfica peculiar de Valparaíso, em que as colinas invadem a costa, possibilita que de uma colina se consiga visualizar as demais. E a cidade possui diversos funiculares, um dos quais (o da foto ao lado) foi por nós utilizado para o desfrute de uma visão panorâmica de Valparaíso, inclusive de sua área portuária.
A Joia do Pacífico, como também é conhecida a cidade, é a capital da V Região do Chile. Também é sede do Poder Legislativo da nação (Congresso), do Ministério da Cultura, do Serviço Nacional de Pesca e do Comando da Armada Chilena. Tem uma população de cerca de 300 mil habitantes. Boêmia e multicolorida, Valparaíso foi declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, em 2003. La Sebastiana, uma das três casas transformadas em museus do poeta e diplomata Pablo Neruda está em Valparaíso (as outras duas, La  Chascona e Isla Negra estão em Santiago e El Quisco, respectivamente).
(a ser continuada)

CITY TOUR EM SANTIAGO DO CHILE

12/11 - domingo
Por volta das 8 horas, a guia turística Miriam nos apanhou no lobby do Hotel Leonardo da Vinci. Tendo passado por outros hotéis, o ônibus em que embarcamos para um city tour em Santiago já estava com a maioria dos assentos ocupados por turistas, todos eles brasileiros. O passeio turístico teve como sua primeira parada o Parque Metropolitano. Um local ótimo para caminhar, tirar fotos (com flamingos brigões ao fundo) e ver "panoramicamente" o Cerro San Cristóbal de onde se tem, no dizer da guia, uma vista privilegiada da cidade.
Após percorrermos a Costanera, fizemos outra parada em "Piedras Australes", onde cada turista foi recebido com um drinque de pisco sour, o equivalente chileno da brasileiríssima caipirinha. O drinque é feito de pisco, uma aguardente de uva, ao qual são acrescentados limão, açúcar, gelo e clara de ovo. Ao degustá-lo, me lembrei de que no passado andei comprando, por curiosidade, uma garrafa de pisco peruano. Era uma garrafa preta, com a forma de uma figura inca, cujo conteúdo jamais experimentei. Já o pisco sour chileno, este pelo menos tive a satisfação de prová-lo, e confesso que gostei.
Existe uma diferença histórica entre o Peru e o Chile sobre a exclusividade de se usar o nome "pisco". Enquanto o Peru defende que "pisco" é uma denominação de origem (similar a Champagne, por exemplo) e que somente pode usar o termo "pisco" aquele produzido no Peru, o Chile defende que "pisco" é um nome genérico (como vinho ou uísque).
Quanto à "Piedras Australes", é uma loja especializada em produtos artisticamente elaborados de prata, cobre e lápis-lazúli. O cobre é a maior fonte de divisas do Chile e o lápis-lazúli (também extraído no Afeganistão e Minas Gerais) é a pedra nacional do país.
Acima, apareço numa fotografia tirada na loja, junto a uma estátua de cobre que representa um mineiro do cobre, obviamente.
Elba, observando um mostruário da "Piedras Australes"
Em seguida, fomos levados ao centro histórico de Santiago, onde podemos apreciar importantes pontos da arquitetura colonial e da história do Chile: Plaza de Armas, Catedral, Museo Histórico Nacional, Correo Central e o Palácio de La Moneda, ou simplesmente La Moneda, que fica entre duas praças. Projetado para cunhar moedas (daí o nome), em 1845 o palácio foi convertido em sede da Presidência da República do Chile.
Durante o golpe de estado de 1973, em que foi deposto e morto o presidente Salvador Allende, o Palácio de La Moneda foi duramente bombardeado. Depois de três horas de bombardeio do edifício com aviões da força aérea, foi este tomado pelo exercito comandado por Pinochet. O efeito dos explosivos, adicionados ao incêndio que se propagou a seguir, destruíram não só parte do prédio como documentos e tesouros inestimáveis. Por exemplo, a Ata de Independência do Chile, de 1818, foi irremediavelmente perdida.
Almoçamos no restaurante El Galeón, no Mercado Central de Santiago. O mercado é reconhecido por vender peixes, mariscos e produtos de artesanato, e também por abrigar um polo gastronômico. E o restaurante foi-nos indicado principalmente por servir centollas, uns caranguejos gigantes pescados na Patagônia. No entanto, com poucas chances de que eu viesse a pedi-las, porque no me gustan los cangrejos. Além disso, lia-se no cardápio que as centollas não tinham preços amigáveis. Uma "jumbo" (para quatro pessoas), por exemplo, custava 159 mil pesos chilenos (cerca de 1.100 reais) afora a propina. Decidimos pedir salmão frito, lasanha bolonhesa e água mineral.
A centolla é um crustáceo que habita o leito marinho das águas frias do sul da América do Sul. A captura deste animal é um recurso lucrativo para as cidades de terra do arquipélago de fogo. Isto levou a um incidente, em agosto de 1967, quando a escuna argentina Cruz del Sur pescava a uns quatrocentos metros da ilha de Gable (hoje sob a soberania da Argentina), foi ordenada  a afastar-se pela patrulha chilena Marinero Fuentealba. Este evento, juntamente com vários outros, levou à tensão do conflito de Beagle, na década de 1970.
Findo o city tour, voltamos ao hotel pelo metrô, seguindo um roteiro construído por informantes anônimos: Linha 2, no sentido de La Cisterna, da estação de Puente Cal y Canto até Los Heroes, em combinação com a Linha 1, no sentido de Los Domínicos, de Los Heroes até a estação Escuela Militar. Desta última, caminhamos cerca de meio quilômetro em que tivemos de passar por um túnel sob a avenida Apoquindo.
À noite, fomos ao restaurante Giratório: não sabíamos que fechava aos domingos. A solução para que comemorássemos o aniversário de Elba estava nas proximidades com o nome de La Piccola Itália, onde comemos pasteis e risotos. Fomos de Uber (2500 pesos) e retornamos de táxi (5500 pesos). O restaurante não tinha como o hotel o wi-fi para acessarmos o Uber.
(a ser continuada)

PARTIU CHILE!

Período: 11 a 16/11/2017
Voos: Avianca
-----Ida: Fortaleza - São Paulo (Guarulhos) - Santiago
-----Volta: Santiago - São Paulo (Guarulhos) - Fortaleza
Hotel Leonardo da Vinci, Malaga 194. Localizado no tranquilo bairro de Las Condes, a poucas quadras das estações de metrô de Alcántara e Escuela Militar.
Passeios programados
1 - City Tour (3h)
2 - Valparaíso e Viña del Mar (8h)
3 - Cordilheira dos Andes (8h)
4 - Outros
Agência de viagem: CVC Parque Mall Shopping (Milton Xavier)
Previsão do tempo pelo Meteoblue para o dia 12 (domingo) em Santiago: 15º a 28º com 0% de probabilidade para precipitação.
Sobre o Chile
É um país da América do Sul, que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia e a leste com a Argentina. O Chile possui um território incomum, com 4 300 quilômetros de comprimento e, em média, 175 quilômetros de largura (430 quilômetros em sua parte mais larga), o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrâneo no centro, até um clima frio e propenso à neve ao sul, com geleiras, fiordes e lagos. O país está localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, região no entorno da placa de Nazca, que concentra 90% da sismicidade e vulcanismo do planeta. Sua extensão territorial é 756.102 km2 (não incluindo a reivindicação do país sobre o Território Antártico)
Atualmente, o Chile é um dos mais estáveis e prósperos países da América do Sul. No contexto da América Latina, é um dos melhores em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica e percepção de corrupção, além de índices comparativamente baixos de pobreza.
O Chile mantém doze estações científicas e concentra 40% da observação astronômica mundial.

Si vas para Chile, antiga canção chilena
"Campesinos y gentes del pueblo / te saldran al encuentro, viajero / y verás como quieren en Chile / al amigo, cuando es forastero." 
Conhecer Santiago
Fundada em 1541 por Pedro de Valdivia, Santiago é a cidade mais antiga do país.
Dos mais de 18 milhões de habitantes do país cerca de 7,4 milhões vivem na Região Metropolitana de Santiago, a capital do Chile desde 1810.
Com uma arquitetura que mistura a tradição com a modernidade, Santiago tem as melhores instalações urbanas e as principais sedes cívicas do país, como o Palacio de La Moneda, sede do governo nacional.
O Metrô de Santiago é o segundo maior da América Latina, atrás apenas do Metrô da Cidade do México. Contando com cinco linhas, 108 estações e uma extensão de 103 km, por ele são transportados diariamente em torno de 2 300 000 passageiros.
Santiago (UTC -4) fica uma hora atrás de Brasília (UTC -3) e tem horário de verão mais ou menos na mesma época que o Brasil.

CENTENÁRIO DR. CARLOS ALBERTO STUDART GOMES (2)

Discurso de Dr. Gilmário Mourão Teixeira (foto) pronunciado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, em 22/09/2017. Transcrito do Blog MEMÓRIAS de Dra. Ana Margarida Arruda Furtado Rosemberg.
--- Ao agradecer a homenagem que, generosamente, me é prestada, nesta festa de exaltação à memória de Carlos Alberto Studart Gomes, realce de seu centenário de nascimento, deixem-me que converta a minha condição de homenageado na de testemunha presencial da história, pois, contemporâneo – acerco-me dos 100 anos – e companheiro de lutas, vivemos juntos, Carlos Alberto e eu, muitas das refregas que nos desafiavam como chefes de serviços de saúde, não raramente posicionados em campos opostos, mas, sem um arranhão, sequer, nas fraternas relações que cultivamos.
Feliz a ideia de realizar este encontro de saudosa evocação, neste espaço que abrigou não só o campo de suas lutas vitoriosas, mas, também as vivências da essência da vida, pois aqui, neste mesmo rincão, Carlos Alberto viveu, por anos, ao lado da sólida e bela família que constituiu, indubitavelmente, o ente maior de sua escala de valores.
Reconheçamos o quanto é sábio aquele que dedica a vida profissional à grandeza de uma instituição, notadamente uma entidade cujo escopo é o alívio da carga de sofrimento humano que a doença determina, forma transcendental de concorrer para o restabelecimento do bem estar, ente essencial à qualidade de vida e condicionante de um dos propósitos maiores das aspirações humanas - o estado de saúde. E este desiderato Carlos Alberto cumpriu por vocação.
Quando os avanços da ciência e da tecnologia, colocaram nas mãos dos que promovem a saúde, os agentes específicos que curavam a tuberculose, prescindindo, na maioria dos casos, do acolhimento hospitalar, discutimos, por vezes neste mesmo ambiente, o destino que estaria reservado às instituições que dirigíamos, Carlos Alberto aqui, à frente do então Sanatório de Messejana e eu ali adiante, à cabeça do, à época, Sanatório de Maracanaú.
Frente às vertentes que despontavam da perspectiva de novos caminhos, o reverenciado desta tarde, homem de ampla visão, acurado auscultador do labirinto da saga das políticas de saúde, vislumbrou e combateu, arduamente, a transformação daquele modesto sanatório – a joia da coroa - criado nos anos trinta graças aos ideais do Dr. João Otávio Lobo, neste hospital agora denominado “Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes” que, sem negligenciar a tuberculose, pois cuida, atualmente, dos casos que exigem tecnologia fina, fez-se uma unidade avançada de doenças cardiovasculares e torácicas e é, hoje, um acreditado centro de referência nacional em transplantes cardiopulmonares.
Nosso homenageado é parte de uma constelação de médicos que contraíram a tuberculose quando ainda cursando a Faculdade de Medicina – condição que Carlos Alberto jamais ocultou – e, curados, dedicaram-se à especialidade voltada para a prevenção, o tratamento e o controle dessa doença, uma das calamidades que mais vítimas fez, através da história da humanidade e, nos dias atuais, dominada pelas conquistas da medicina, mas, ainda não erradicada devido aos agravos do subdesenvolvimento e à inépcia dos que doutrinam e conduzem a saúde do povo.
Não seria demasiado admitir que algo do caráter de visionário, de defensor inarredável de suas causas e de romântico, qualidades que integravam a personalidade de Carlos Alberto, tenham origem no misticismo que, então, envolvia o drama dos que padeceram de tuberculose.
José Rosemberg, um dos expoentes de nossa cultura médica, em trabalho magistral, levantou aspectos da vida de 364 tuberculosos célebres – reis, rainhas, escritores, cientistas, médicos, pintores, músicos – que viveram em épocas em que a tuberculose dizimava não só os estratos sociais que abarcam a miséria, mas também as elites, figuras que, ainda no dizer de Rosemberg, amalgamaram a tuberculose à história cultural das manifestações criativas e à dramaticidade da doença.
Não foi só por acaso, que Thomas Mann, a maior expressão da literatura alemã da era contemporânea, tenha concebido sua obra prima, a “Montanha Mágica”, enquanto paciente de um Sanatório dos Alpes suíços – o Sanatório Berghof em Davos, hoje, Waldhotel-Bellevue – numa atitude romântica, o visitei em 1998; nesse ambiente plural, Thomas Mann, também um dos mais lúcidos humanistas de seu tempo, encontra inspiração para moldar seus múltiplos personagens que, no dizer de um de seus apreciadores, arrastavam ao debate, as correntes vigentes do pensamento filosófico que envolviam o materialismo científico, o racionalismo, o iluminismo, a democracia, para alcançar os grandes temas da Fé, da Morte, da Ciência, da Filosofia, do Amor e do Tempo.
Permitam-me agora, ao encerrar este sucinto elogio, com que reverenciamos a memória de um cidadão íntegro, um médico empreendedor, que aplicou todo seu conhecimento das ciências médicas e saberes advindos da experiência de vida, na prática do bem e no desenvolvimento de entidades dedicados à recuperação da saúde, permitam-me, renovo, por apropriado, fazer um chamamento à consciência de cada um de nós, considerando a crise moral e política que ora nos desonra como nação e frente aos deveres da cidadania, para que, democraticamente, quando as urnas nos forem apresentadas, entreguemos a compatriotas dignos, e somente a eles, a condução das instituições que nos asseguram a governabilidade, a lei, a justiça, a ordem, o progresso e, acima de tudo, a liberdade e a paz.
Que a memória de Carlos Alberto nos ajude.
Dr. Gilmário Mourão Teixeira
médico pneumologista e professor aposentado da FMUFC
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IX LANÇAMENTO COLETIVO DA EDITORA DA UECE

A Editora da Universidade Estadual do Ceará (EdUECE) realizou nesta quinta-feira (26), como atividade da XXII Semana Universitária, o IX Lançamento Coletivo de Livros da EdUECE.
O evento aconteceu no Auditório Paulo Petrola, no prédio da Reitoria, Campus Itaperi, a partir das 16h, quando foram lançados cerca de 100 livros das mais variadas áreas do conhecimento.
Entre as obras expostas, constou uma publicação de autoria de Marcelo Gurgel, o livro "Ideias Médicas Circulantes: crônicas e ensaios". Com este último título, o autor, que é também professor do Centro de Ciências da Saúde da UECE, atingiu a marca de noventa e três livros publicados.
Na ocasião, houve também uma cerimônia comemorativa dos 30 anos da Editora.
"30 anos transformando pensamentos em livros"
Portal da EdUECE
31/10/2017 - Atualizando ...
O livro "Ideias Médicas Contemporâneas: crônicas e ensaios", de Marcelo Gurgel será lançado nesta terça-feira, 31 de outubro, às 19 horas, no Auditório do Sindicato dos Médicos do Ceará (rua Pereira Filgueiras, 2020 - 9º andar, Fortaleza - CE). O autor e a obra serão apresentados pelo Dr. Florentino de Araújo Cardoso Filho, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).
A presidente do Sindicato dos Médicos do Estado Ceará, Dra. Mayra Pinheiro, convida familiares e amigos do professor Marcelo Gurgel para esta noite de autógrafos.

LANÇAMENTO DO LIVRO "À FLOR DA PELE"

A Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional do Ceará (Sobrames/CE), lançou no dia 19 de outubro o livro "À flor da pele", sua 34.ª antologia. O lançamento deste livro aconteceu no Auditório da Sede da Unimed Fortaleza, às 19h30, tendo como apresentador o médico, professor e escritor Dr. Flávio Leitão, membro das Academias: Cearense de Letras e Cearense de Medicina, e também sócio da Sobrames Ceará.
"O que agrada na leitura desta coletânea é a grande variedade dos gêneros literários. As musas gregas, certamente, inspiraram os colaboradores da Antologia 2017, dentre elas, Calíope (eloquência), a que preside a poesia, foi a mais generosa, traduzindo-se por mais de 40 poesias de elevada sensibilidade. Não faltou, contudo, o concurso da musa Polimnia (retórica) assim como de Clio (história)."
Flávio Leitão
Com a publicação de "A flor da pele" dá-se prosseguimento a uma série de antologias de autores médicos cearenses, a qual foi iniciada em 1981, tendo como editores em sua fase pré-sobramista os colegas Dr. Emanuel Melo e Dr. Paulo Gurgel.
Neste ano, o número de colaboradores (67) é considerado dos mais expressivos. Dr. Marcelo Gurgel, atual presidente da Sobrames Ceará, foi o responsável pela coordenação deste livro (como tem sido em números anteriores), e o cirurgião plástico Dr.Isaac Furtado programou a capa.
Marcelo Gurgel e Flávio Leitão no lançamento da Antologia 2017
Foto: Portal Arruda Bastos
Para ler mais: http://blogdasobramesceara.blogspot.com.br/2017/10/lancamento-da-34-antologia-da-sobrames.html

CORONEL GURGEL E O BANDO DE LAMPIÃO

por Geraldo Maia
Os dias que antecederam ao 13 de junho de 1927 foram de muita agitação para a população. Boatos alarmantes davam conta da penetração de cangaceiros no solo potiguar, e que o objetivo da malta era atacar Mossoró, a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte.
Antônio (Valeriano) Gurgel do Amaral, o Coronel Gurgel (foto), destacada figura nos meios políticos e sociais do Estado, ex-prefeito de Natal, se encontrava na cidade e os boatos o estavam perturbando. Por precaução, resolveu pegar sua esposa que se encontrava na Fazenda "Brejo", uma propriedade da família que ficava próxima ao lugarejo Pedra de Abelhas, atual Felipe Guerra.
Fez a viagem de automóvel, tendo como chofer Francisco Agripino, mais conhecido pelo apelido de Gatinho. Acontece que por não conhecer bem a estrada que levaria à Fazenda, Gatinho muda o rumo e em determinado momento chama a atenção do Coronel para uns homens armados que se achavam à margem do caminho. Gurgel manda prosseguir a viagem, mas logo depois muda de ideia, pois o carro começa a ser alvejado pelos bandidos e perseguido por um cangaceiro, que de arma na mão exige que parem o carro. Era o cangaceiro Coqueiro, do bando de Lampião, que se aproximando do Coronel foi logo tomando-lhe a carteira de onde tirou um conto e quinhentos mil réis, a pistola automática e uma caixa de balas de rifle. Depois, revistando-o, tirou também a aliança, os óculos e o fez descer do automóvel dando-lhe "ordem de prisão".
Acontece que o rumo que Gatinho tomou, por engano, levou-os a uma faixa que havia sido ocupada pelos cangaceiros. E o Coronel Gurgel, depois de saqueado, foi escoltado à casa de Manoel Valentim, na Fazenda Santana, onde os chefes da malta se aquartelavam.
"Prendi um "coronelão", bicho de dinheiro!", grita Coqueiro aos comparsas.
Nesse momento Sabino Gomes, um dos subchefes de Lampião, encarando o Coronel, determina sua sentença:
"Você está preso por dez contos de réis!"
Depois desse rápido diálogo, foi apresentado ao Capitão Lampião e qual não foi sua surpresa ao descobrir que dois dos seus irmãos, José e Fausto, também se encontravam ali na qualidade de prisioneiros do grupo.
Num depoimento posterior, o Coronel Gurgel diz que Lampião perguntou a ele onde arranjaria o dinheiro para pagar o resgate seu e de seus irmãos, o que o mesmo respondeu que não lhe era fácil arranjar tão elevada quantia, especialmente ali. Talvez a conseguisse em Mossoró, onde tinha alguns amigos. Propôs, então, ir a Mossoró de carro, apanhar o resgate, deixando como garantia seus irmãos. Pediu, no entanto, um desconto. Sabino Gomes, que assistia a negociação, não gostou da ideia. Pelo atrevimento, aumentou o resgate para quinze contos de réis e determinou que o mesmo mandasse um dos seus irmãos, no carro, buscar o dinheiro.
O escolhido foi Fausto, que seguiu viagem levando um bilhete do Coronel Gurgel para Jaime Guedes, gerente do Banco do Brasil em Mossoró, onde dizia:
"Jaime: Estou preso pelo Sr. Virgulino, o qual exige quinze contos, preciso, porém, que você mande vinte e um contos para salvar-me e a meus irmãos. O portador é Fausto, a quem você despachará com urgência. Deus nos proteja. Antônio Gurgel. 12/06/1927".
Uma série de acontecimentos faz com que o portador não encontre mais o bando que, sendo vencido em Mossoró, foge para o Ceará. O Coronel Gurgel permaneceu com o bando até o dia 25 de junho, quando foi posto em liberdade para dar mais mobilidade ao grupo. Toda essa aventura foi registrada em um diário escrito pelo Coronel Gurgel, durante os dias de cativeiro.
"Nas Garras de Lampião (diário)" - é o título de um trabalho publicado em 1996 pelo historiador Raimundo Soares de Brito, onde reproduz o "Diário do Coronel Gurgel" com bastante ilustrações e notas de rodapé. É, por certo, o mais importante registro do que aconteceu com o bando de Lampião depois do ataque a Mossoró.
Maia, G. Coronel Gurgel. Jornal O Mossoroense. Publicado em 23/07/2005 e acessado em 23/07/2017
Maia, G. Algumas considerações sobre os Heróis da Resistência. Blog do Gemaia
Um detalhe curioso acrescentado a esta história por Rostand Medeiros:
Eu tenho a minha hipótese para o caso das moedas: o Coronel Gurgel era uma pessoa tão especial, tão interessante, que não recebeu nem uma e nem duas moedas de ouro dos cangaceiros, mas três. Uma de Luís Sabino e duas de Lampião, uma brasileira e duas inglesas. Daí, se esta hipótese for correta, talvez o coronel Gurgel seja o primeiro caso de um sequestrado neste mundo que, apesar de passar vários dias com seus algozes, voltou para casa ganhando presentes dos seus algozes na forma de três moedas de ouro tilintando no bolso.
Medeiros, R. O ouro dos cangaceiros para Yolanda. Tok de História
Para acessar o diário do raptado Coronel Gurgel:
Meneleu, R. Lampião e o Coronel - diário de um raptado. Caiçara dos Rios dos Ventos

"NA TRILHA DO PASSADO": AGORA DISPONÍVEL NO "MEDIAFIRE"

Olá Paulo,
Meu nome é Lucas de Araújo Gurgel e gostaria de compartilhar o link do livro "Genealogia da Família Gurgel - Na Trilha do Passado". Felizmente, consegui o livro na biblioteca do Senado Federal e o digitalizei.
Segue o link para download:
Lucas de Araújo Gurgel
Lucas,
Você prestou um inestimável serviço a todos que procuram este livro do Aldysio Gurgel do Amaral e não o encontram. Publicada em 1986, a obra teve a sua edição logo esgotada.

UM PATOLOGISTA SOB MÚLTIPLOS OLHARES

ISBN: 978-85-915558-5-7
"Dalgimar Beserra de Menezes: um patologista sob múltiplos olhares" é o título do livro mais recente do médico, professor da UECE e polígrafo Marcelo Gurgel Carlos da Silva. Concluído em 2016, mas só agora lançado, este livro é uma biografia não autorizada do médico patologista, conselheiro do CREMEC e professor emérito da UFC Dalgimar Beserra de Menezes.
Por ser o perfilado pouco afeito a homenagens e haver desde o início demonstrado resistência a ideia da elaboração deste livro, Marcelo optou por escrevê-lo sem contato direto com o conselheiro Menezes.
Desse modo, em um lapso de cinco anos, garimpando nas mais variadas fontes - impressas, eletrônicas e outras -, Marcelo reuniu textos, fotos e outras informações de/sobre o biografado. Além disso, recorreu aos dados do currículo do perfilado na Plataforma Lattes, monitorando obstinadamente suas frequentes atualizações.
Considera Marcelo Gurgel que "os conhecidos méritos do Prof. Dalgimar Beserra de Menezes não podem ficar escondidos nos escaninhos cerebrais dos seus amigos e colegas mais próximos", daí a razão pela qual se empenhou na publicação da referida biografia.
P.S.
Consta deste livro, às páginas 60 e 61, o texto PROEMIAL, que escrevi à guisa de prefácio para o "Em busca de poesia", de Dalgimar Beserra de Menezes, publicado em 1985. ~ PGCS

KREKE PATINHA, A MÁQUINA DE QUEBRAR CARANGUEJO

Conheça a história do empresário cearense Adriano Rocha, que inventou uma engenhoca bastante simples, mas que promete revolucionar o jeito como as pessoas quebram as patas dos caranguejos para comer.
Depois de vários protótipos feitos e de quase um ano de testes, finalmente o utensílio ficou pronto e recebeu este nome: Kreke Patinha.
O invento, que facilita a vida de quem gosta de comer caranguejo, vem fazendo sucesso em Fortaleza e, através do site do empresário, já está à venda para todo o Brasil. Cada unidade custa R$ 45.
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CENTENÁRIO DR. CARLOS ALBERTO STUDART GOMES

Foi comemorado no dia 22 de setembro, com início às 15 horas, no Bosque dos Eucaliptos do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, o centenário de nascimento (23/08/1917) deste médico tisiologista que, no período de 1944 a 1983, dirigiu com acerto e dedicação a citada instituição, transformando-o de um pequeno sanatório inicialmente destinado ao tratamento de pacientes tuberculosos em uma unidade hospitalar da rede de hospitais do Sistema Único de Saúde do Estado do Ceará, na qual é atualmente referência para o diagnóstico e o tratamento das doenças cardíacas e pulmonares.
Programa
1. Abertura do evento pelo Dr. Frederico Augusto de Lima e Silva, diretor do HM.
2. Discursos de agradecimento do empresário Dr. Beto Studart e do médico cardiologista Dr. Flávio Studart, em nome da família Studart Gomes.
3. Discurso do Secretário de Saúde do Estado do Ceará Dr. Henrique Javi.
4. Homenagem a funcionários amigos do Dr. Carlos Studart, com a entrega de placas a eles ou seus representantes, com os seguintes dizeres:
Hoje é um dia especial para recordar um grande homem e todos os que estiveram ao seu lado para escrever um importante capítulo na medicina do Ceará, uma história de dedicação, coragem e coração --- nome do homenageado --- Nós, da família de Carlos Alberto Studart Gomes, reconhecemos seu trabalho na construção desse legado. É com muita emoção que agradecemos o apoio e a amizade dedicados ao nosso amado pai.
5. Discursos dos médicos Dr. Gilmário Mourão Teixeira e Dr. João Martins Torres, em nome dos homenageados.
6. Declamação do poema "Bosque dos  Eucaliptos" pela autora, A.S. Dra. Dione Barros.
7. Lançamento do livro "Dr. Carlos Alberto Studart Gomes - O Arquiteto de Esperanças" pelo médico cardiologista e sobramista Dr. José Maria Bonfim, autor da obra.
8. Música ao vivo e coquetel.
Correspondência
24/09/2017, às 09:16
Amigo Paulo,
Muitíssimo obrigado por seu apoio nessa data tão importante para a nossa família.
Grande abraço e um bom domingo.
Beto Studart, por e-mail
25/09/2017, às 05:28
Reverenciar os grandes homens por seus feitos é preservar a nossa memória.
Ana Margarida Rosemberg, por comentários
25/09/2017, às 20:59
Gosto de receber estas notícias. Um abraço.
Auxiliadora Barroso, por e-mail

"ANOS DOURADOS EM OTÁVIO BONFIM" (QUARTA CAPA DO LIVRO)

Baseada nas vivências e pesquisas do escritor Vicente de Paula Falcão Moraes, aqui temos a 2ª edição revista e ampliada de "Anos Dourados em Otávio Bonfim". A obra é um precioso repositório de relatos sobre o bairro de Otávio Bonfim, na qual o memorialista ajustou o foco das suas reminiscências para as décadas de 1950 e 60.
O ponto de partida é a Estação Ferroviária de Otávio Bonfim. Construída em 1922, tempos depois a Rede de Viação Cearense, homenageando o engenheiro Otávio Bonfim (foto), deu o nome deste funcionário à estação. Com o passar dos anos, por um processo de assimilação, moradores e frequentadores do bairro (oficialmente denominado de Farias Brito) passaram a chamar a região de Otávio Bonfim.
A estação não existe mais - no plano físico. Não há mais como cruzar aqueles trilhos urbanos, chegar ao saguão da estação e, após ouvir o toque característico do pequeno sino, tomar o trem das três (da madrugada) que levava o jovem aluno da Faculdade de Medicina da UFC para as merecidas férias no Sítio Catolé, em Senador Pompeu.
Também não há mais o Instituto Padre Anchieta, o Cine Familiar e o Nazaré, a fábrica Siqueira Gurgel nem o chamado time fabril, o Usina Ceará, e o Jardim Japonês. De formas diversas, o tempo foi dispersando as antigas turmas do bairro - com suas festas, corais, peças teatrais, quermesses, jogos, excursões e brincadeiras.
E sinto assim todo o meu peito se apertar, como disse o poeta .
No entanto, resistindo à voracidade de Cronos, o deus primordial do tempo, a Praça de Otávio Bonfim, as ruas, becos e vilas que compõem o bairro, e o seu ícone maior, a Igreja Nossa Senhora das Dores, onde o inesquecível Frei Teodoro exerceu grande parte do seu trabalho missionário, continuam como referências no tempo presente. E novas gerações zelam o legado.
O bairro a oeste do centro histórico de Fortaleza é peculiarmente pequeno na planta topográfica da cidade: um quilômetro quadrado de Otávio Bonfim a inserir-se timidamente em 315 quilômetros quadrados de Fortaleza. Mas, como recurso crucial, Otávio Bonfim conta com seus incansáveis historiadores (Vicente Moraes e Marcelo Gurgel) que, aquém dos anos dourados e além dos anos iluminados, certamente prosseguirão no afã de transformar em livros as histórias de sua/nossa gente.

Paulo Gurgel Carlos da Silva
http://blogdopg.blogspot.com.br
http://gurgel-carlos.blogspot.com.br

BIOGRAFIA DE MOACIR SOARES PINTO (1928 - 2014)

SEMINARISTA - COMERCIANTE - EMPREENDEDOR - AUDITOR FISCAL E POLÍTICO
por Antonio Pinto Macedo (*)
No dia 28 de janeiro de 1928, na cidade de Aurora-CE, Antônio Pinto Ferreira e Josefa Soares Pinto colocaram no mundo Moacir Soares Pinto que sucedia a irmã Terezinha. O casal teria, ainda, mais três filhos: Lary, Frassinete e Alacoque.
Moacir iniciou seus estudos em sua cidade natal, no estabelecimento de ensino denominado Escolas Reunidas. Aos 7 anos de idade perdeu, precocemente, com apenas 36 anos, o seu genitor que fazia tratamento de saúde na cidade de Barbalha-CE. Em decorrência, seu avô materno José Soares passou a tocar os negócios da família com oiticica e algodão, incluindo uma fábrica de beneficiamento, bem como a administração da usina elétrica, responsável pelo fornecimento de energia elétrica para a cidade de Aurora. Tinha sido seu pai quem implantou a energia elétrica na cidade em 1931.
Com 11 anos, Moacir foi estudar no Seminário Diocesano, na cidade de Crato-CE, deixando para trás irmãos saudosos, sobretudo Terezinha que, costumeiramente, chorava copiosamente.
No Seminário, onde permaneceu por pouco mais de um ano, dividia com Wilson Machado, futuro radialista da Ceará Rádio Clube de Fortaleza, os dois times locais de futebol nos horários de lazer.
De volta a Aurora, com apenas 12 anos, Moacir ingressou no mundo comercial, colaborando com seu avô José Soares na administração dos negócios deixados por seu pai.
Aos 14 anos, foi residir em Fortaleza para estudar no Colégio Farias Brito, onde permaneceu por dois anos. Regressou a sua cidade natal e, com apenas 16 anos, já administrava a fábrica de beneficiamento de algodão.
Com 17 anos, ingressa na vida política e, aos 18 anos, sem abandonar as outras atividades, passa a negociar com tecido, tendo como sócio Cândido Ribeiro Neto, futuro deputado estadual, com quem chegou a dividir 6 lojas de venda de tecido em Aurora, Missão Velha e Lavras da Mangabeira, cidades vizinhas.
Em 6 de março de 1948, portanto com 20 anos, contraiu matrimônio com a Sra. Zaíra Teixeira de Macêdo, filha de Antonio Landim de Macêdo e Rosa Teixeira Leite. Em dezembro do mesmo ano, nasceu o primogênito dos 10 filhos que o casal colocaria no mundo. Sete dos 10 filhos ultrapassaram a infância, a adolescência e se tornaram adultos, permanecendo vivos até a data de divulgação desta biografia e são eles: Antônio, Maria Lúcia, Rosy Mary, Francisco Moacir, Elba, Márcia e Denise. Ao longo dos anos, foram incorporados à família as noras Eliane e Maristane e os genros Henrique, Paulo, Gaudêncio e Ronaldo.
Em 1951, foi eleito pela primeira vez vereador para a Câmara Municipal de Aurora. Em 1955 foi reeleito, todavia, teve que renunciar ao mandato em 1957 para assumir o cargo de coletor federal. Envolvido nas atividades da coletoria, do comércio e da política, Moacir (atacante) ainda encontrava tempo para, juntamente com seu irmão Lary (defensor) e seu cunhado Dr. Bastim (meio-campista), jogar na seleção de futebol de Aurora, onde residiu até o final do ano de 1958.
No período de 1959 a 1961,  residindo em Fortaleza, dedicou-se ao comércio atacadista com um armazém na Rua Governador Sampaio.
De volta a Aurora, permaneceu de 1962 até julho de 1964, quando retornou novamente para Fortaleza, onde permaneceu do restante de 1964 até julho de 1966. De agosto de 1966 a 1967, Moacir esteve de volta à terra natal. Neste período, como proprietário de uma pequena empresa de telefones, que ele instalou e iniciou a operação em Aurora, repetindo com a telefonia aquilo que seu pai fizera com a energia elétrica 36 anos atrás.
De 1968 a junho de 1976, foi auditor fiscal (nova nomenclatura para coletor federal) em Juazeiro do Norte-CE, terra de Padre Cícero ("Padim Ciço"), de quem foi devoto. De julho de 1976 a dezembro de 1979 residiu em Fortaleza e, no período de 1980 a 1982, foi auditor fiscal em Brasília.
Utilizando-se de licenças do serviço federal, foi novamente vereador em Aurora, na legislatura 1977/1982, tendo sido, ainda, em 1978, candidato a deputado estadual.
Em 1983, retornou a Juazeiro do Norte-CE onde permaneceu até 1992 quando aposentou-se do Serviço Federal, e tendo sido ainda, em 1986, candidato a deputado federal.
Voltou a residir em Aurora em 1993, onde permaneceu até 1998 mudando-se, pela última vez, para Fortaleza onde fixou sua última residência.
Até 9 de outubro de 2014, com saúde e alegria , na companhia de Zaíra e convivendo com seus 7 filhos, 14 netos, 4 bisnetos, 2 irmãos e 13 sobrinhos diretos, viveu seu último período de felicidade.
Ao longo de sua vida cheia de mudanças de residência e de múltiplas atividades, foram marcas da personalidade de Moacir a consideração e o apoio aos seus filhos, irmãos, familiares e amigos.
Aurora, julho de 2017
(*) O Tenente-Brigadeiro-do-Ar R1 Antônio Pinto Macedo é o autor desta biografia de Moacir Soares Pinto, seu pai.
Arquivo:
A DESCENDÊNCIA DE MOACIR E ZAÍRA - NOTA DE FALECIMENTO DE MOACIR
Correspondência:
Obrigada, Paulo. Realmente eu queria a biografia de tio Moacir. Valeu. ~ Celi Pinto

OCUPA IHGRN

Vídeo especial do programa "Ponto de Vista", com Nelson Freire, sobre a recente "ocupação" do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) por Ceará Mirim.
Inclui: abertura do evento, entrevistas diversas e mostras de manifestações culturais e artísticas desse município do Leste Potiguar.
Ver também: nota relacionada em GENEALOGIA E HISTÓRIA.

Estão de parabéns pelo sucesso do evento o presidente Ormuz Barbalho Simonetti e seus confrades do Instituto, bem como os gestores de cultura e a população de Ceará-Mirim. Este exemplo de parceria com o IHGRN promete ser seguido por outros municípios norte-riograndenses.

SESSENTA ANOS DE LUCIANO E GERMANO

Em uma casa de praia na Tabuba (Caucaia), os irmãos gêmeos Luciano e Germano Gurgel Carlos da Silva receberam familiares e amigos para a comemoração dos seus 60 anos.
Tiago, filho de Germano, e Marina e Diana, filhas gêmeas de Luciano, leram os textos que escreveram homenageando seus pais, que discursaram a seguir em agradecimento.
Uma feijoada foi o prato principal do dia (26), que era sábado.
Luciano e Germano: sessentões

O INSTITUTO PADRE ANCHIETA (2)

"Seu Silva, o grande mestre educador, a enciclopédia ambulante do bairro de Otávio Bonfim." ~ Vicente Moraes

Fundado e dirigido por meu pai, Prof. Luiz Carlos da Silva, existia em Otávio Bonfim o Instituto Padre Anchieta. Nas décadas de 1950 e 60, era a única escola privada do bairro. Mas o imóvel em que funcionou, situado na Justiniano de Serpa, nº 53, não existe mais por ter sido demolido para o alargamento da rua.
Tarcísio Moraes, em sua apresentação do livro "Anos Dourados em Otávio Bonfim", na 2ª edição, e Vicente Moraes, o autor do livro, colocam em destaque o papel do Instituto Padre Anchieta e homenageiam o seu fundador:

"Todos os acontecimentos textualizados na presente obra servirão de exemplo, para nossos filhos e netos, como uma marca de vidas muito bem vividas sob a orientação da igreja e de pequenas escolas primárias, como o Instituto Padre Anchieta, tendo à frente o seu Silva, que tudo fizeram no sentido de preservar a união familiar como uma base sólida de um futuro promissor." ~ Tarcísio Moraes

"Eis aí, caros leitores, o pequeno histórico de uma juventude cuja vivência e formação educativa devemos à presença de uma família organizada dentro dos princípios da Igreja e dos pequenos estabelecimentos escolares - com destaque para o Instituto Padre Anchieta que tinha como educador o Professor Luiz Carlos da Silva (seu SILVA) - que formavam uma base cristã, cívica e moral para a posteridade." ~ Vicente Moraes

LANÇAMENTO DO LIVRO "ANOS DOURADOS EM OTÁVIO BONFIM" - 2ª EDIÇÃO

A Editora Iuris convida a todos para o lançamento da segunda edição do livro Anos Dourados em Otávio Bonfim (À Memória de Frei Teodoro), de autoria do escritor Vicente de Paula Falcão Moraes. O autor será apresentado pelo jornalista Willame Moura e sua obra, pelo médico e professor Marcelo Gurgel.

Local: Salão de Santo Antônio (ao lado da igreja da Paróquia N. S. das Dores)
Dia: 25/08/2017, sexta-feira
Horário: 19h30
Traje: esporte fino
Informação: (85) 9 8701 2644

Hoc opus.
PS. Tive a honra de escrever a quarta capa desta edição do livro de Vicente Moraes.

Atualizando ...
12/08/2017 - Cobertura do evento pelo Blog do Marcelo Gurgel
27/09/2017 - Recebi há pouco "ANOS DOURADOS EM OTÁVIO BONFIM", pelo que lhe agradeço a gentileza e irá diretamente à minha cabeceira. Valeu!
Jaime Nogueira
02/10/2017 - No final de semana recebi, do Dr. Paulo Gurgel, o livro "Anos Dourados em Otávio Bonfim", de autoria do escritor conterrâneo Vicente de Paula Falcão Moraes.
Otávio Bonfim, onde moramos por alguns anos, era onde moravam muitos dos nossos parentes da família Gurgel.
E é um imenso prazer ver desfilar no livro algumas fotos de nossos tios e tias bem jovens: Tio Gurgel (Henrique Gurgel), Tio Almir, Tio Aldemir, Tia Terezinha, Tia Otília e o Tio Eduardo Mota.
E ver, também a menção de outros tios, como a Tia Zélia e o Tio Evanésio.
Muitas saudades ficaram dos tempos da pracinha da igreja e do famoso, para nós, Cine Familiar.
Obrigado, Dr. Paulo pelo belo presente.
Grande abraço.
Fernando Gurgel Filho
01/11/2017 - "Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia." - Lev Nikolayevich Tolstoy
Meu Caro Esculápio:
O Espírito de Lev Nikolayevich Tolstoy baixou legal no Vicente Morais e confesso que me fez regredir aos anos ´60, com seus falares cirurgicamente reconstruídos. Parabéns. Já anotei alguns comentários que infelizmente estou sem condições de editá-los por conta do embaçamento de meu olho esquerdo, logo que o oftalmologista passar uma flanelinha no local devido, remeto. Gostei muito do livro.
Jaime Nogueira

O BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Diogo Fontenelle
para Sandra Veloso, amiga dos tempos escolares

Da minha janela, observo – em pranto - a demolição do Grupo Escolar
Em nome da construção de um invasivo condomínio de apartamentos.
A paisagem da janela foi amputada, agora resta apenas desvão pelo ar,
A aquarela da minha infância, em sangria, reflui os velhos sentimentos.

O Grupo Escolar demolido a acenar da janela qual caprichosa miragem
Era uma risonha parte de mim, sinto-me desolado com a alma mutilada.
A quem deverei reclamar pelo meu direito visual-amoroso da paisagem?
Em qual delegacia-distrito policial lavrarei o meu boletim de ocorrência?

Ante o inusitado sombrio luto por mim mesmo, é preciso seguir viagem!

TREZENTOS ANOS DA FAMÍLIA GURGEL NO NORDESTE (1716 – 2016)

por JB Serra e Gurgel (*)
Este era o título do livro que José Jarbas Studart Gurgel (Acaraú , 20.07.1935 – Fortaleza, 29.01.2015) pretendia publicar para marcar a História de uma das mais tradicionais famílias do Brasil, não tivesse sido surpreendido pela morte em seus 80 anos, intensamente vividos. Antes pensara em titular, "De Geração em Geração".
Guardo comigo a última edição quase definitiva, de 2014, editada e montada. Certamente pretendia convocar a Gurgelândia do Nordeste, especialmente do Ceará e do Rio Grande do Norte, com sua "apresentação", a 6ª, de 16.09.2014. (mandou-me a 2ª, de 10.01.2014, a 3ª, de 10.01.2014), além das  cartas de 10.11.13 e de 11.02, 16.07 e 10.11.14, e inúmeros e-mails., dando-me ciência das pesquisas, investigações, consultas sobre sua obra, que tinha como referência "o cumprimento da verdade e o resgate histórico e genealógico de nossa família".
Seus estudos complementam os de Heitor Luiz do Amaral Gurgel , "Uma Família Carioca do Século XVI", de Miguel Santiago Gurgel , "Porteiras e Currais" , com as fazendas de Santa Cruz do Aracati, e de Aldysio Gurgel do Amaral, "Na Trilha do Passado, Genealogia da Família Gurgel". Claro que há lacunas a serem preenchidas por outros pesquisadores.
Sua convicção era muito forte indicando que "em face de problemas políticos" a família Gurgel migrou de seu habitat inicial, no Rio de Janeiro, onde se estabeleceu no inicio do século XVII,  mais precisamente em 1606, com o casamento de Toussaint Gurgel, de 30 anos, e Domingas Arão Amaral, de 20. O corsário Toussaint Gurgel, de Havre de Grace, da Alsácia, França, de mãe francesa e pai alemão da Baviera, chegou a Cabo Frio em 1595, no comboio que visava a implantação da França Antártica.
Imagem: www.angelfire.com
Em 410 anos, e com 16 gerações, com os entrelaçamentos de Gurgel do Amaral, Gurgel Valente, Gurgel Costa Lima, Studart Gurgel, Gurgel Barbosa, Nogueira Gurgel, Santos Gurgel, Gurgel Carlos da Silva, Oliveira Gurgel, Holanda Gurgel , estimam-se em mais de 15 mil os seus descendentes .
A migração dos Gurgel para o Nordeste iniciou- se em 1716, após o governador do Rio de Janeiro, Francisco Xavier de Távora, o 56º, que já tinha afrontado Claudio Gurgel do Amaral, grande proprietário de terras no Rio de Janeiro (Morros do Castelo e de Santa Teresa, Outeiro da Gloria, Campo Grande, entre outros, fugiu para Cataguazes em Minas Gerais, onde vivia seu primo Francisco do Amaral Gurgel. Seu filho, o alferes José Gurgel do Amaral, ofendido por João Manoel de Melo e apaniguados, travou uma acirrada luta política e matou todos seus desafetos, sendo os Gurgel declarados. "réus de morte" pelo Governador Távora. José acabou preso em Minas, cumpriu pena no Rio e em Salvador, onde foi levado ao patíbulo.
Maria Gurgel do Amaral, nascida no Rio de Janeiro em 1712, chegou com seus pais à região Penedo ou São Miguel dos Campos, em Alagoas, em 1716, acompanhada de seu marido Davi Lopes de Barros (nome disfarçado).
Um de seus filhos, José Gurgel do Amaral, nascido em 1712, em Penedo, foi casado com Cosma Nunes Nogueira , é o 1º Patriarca da família Gurgel do Aracati. José Gurgel do Amaral Filho, nasceu na fazenda Porteiras, na vila de Santa Cruz do Aracati, e é considerado o 2º Patriarca da Família Gurgel de Aracati, nascido no ano de 1784. Casou-se duas vezes e teve 20 filhos.
A versão "De Geração em Geração", a 2ª., de 10.10.2013, continha os seguintes capítulos: Sumário, Apresentação, Introdução, O Patriarca do Brasil, O Patriarca do Nordeste, O Patriarca de Aracati, O Patriarca de Acaraú, O Patriarca do Recife, Justiça e Justiceiros, Um Gurgel Presidente da República, Do Quinto ao Oitavo filho, A Matriarca de Caraúbas, Um Gurgel Governador de Estado, A Matriarca de Maranguape, O Ramo dos Gurgel Nogueira, Descendentes de Philomena e de Olímpia Gurgel do Amaral, 14ª e 15ª filhas do Patriarca do Aracati, .Os Patriarcas de Apodi e da Paraíba, Amantes das Artes e da Cultura; O Patriarca de Acopiara, Descendência de d.Felismina, O Patriarca de Fortaleza, Uma Comunidade de Vocacionados, descendentes de Jesumira Gurgel do Amaral, a 20ª filha do Patriarca de Aracati; um Gurgel Patrono do Exército Nacional, Exploradores de Ouro nas Minas Gerais, Um Gurgel Inconfidente Mineiro, Conclusão e Bibliografia Consultada.
A versão "Trezentos Anos da Familia Gurgel no Nordeste (1716-2016)", a 6ª, de 16.09.2014, que me foi entregue em seu apartamento da Visconde de Mauá, e que seria quase definitiva, constam os capítulos: Apresentação, Prefácio, Introdução, o Genearca do Brasil, Toussaint Gurgel; o Patriarca do Nordeste, José Gurgel do Amaral, o Patriarca de Aracati, José Gurgel do Amaral Filho; os Studart Gurgel, o Patriarca de; Acaraú, Benjamin Studart Gurgel; os Barros Leal e outros, os outros filhos de Delfino; um Gurgel Presidente da Republica, Humberto de Alencar Castello Branco; Os Gurgel Valente e outros; A Matriarca de Caraubas (RN), Quitéria Gurgel do Amaral; Um Gurgel Governador de Estado Monsenhor Valfredo Gurgel (RN), a Matriarca de Maranguape, Matilde Maria Gurgel do Amaral; Um Gurgel Nogueira e outros; os Carlos da Silva e outros; Patriarcas do Apodi, Tiburcio Valeriano Gurgel do Amaral e da Paraiba, Paulo de Brito Guerra; os Monteiro Gurgel e outros, o Patriarca de Acopiara , Henrique Gurgel do Amaral Valente (Vovô do Rio), Descendentes de d. Felismina Gurgel do Amaral; O Patriarca de Fortaleza, José Gurgel do Amaral; os Guedes e Outros, Heróis da Guerra do Paraguai, entre eles, o Duque de Caxias, Luis Alves de Lima e Silva, descendente da 5ª. filha de Toussaint Gurgel, Méssia do Amaral Gurgel, Bibliografia Consultada, Índice Remissivo.
Comparando com a 2ª. versão, sobraram: o inconfidente “mineiro” , que por sinal é fluminense, Salvador Carvalho da Cunha do Amaral Gurgel, bisneto de Toussaint Gurgel; o Patriarca do Recife, Henrique Gurgel do Amaral; Exploradores de Ouro nas Minas Gerais; Justiça e justiceiros, descendente de Vicente Gurgel do Amaral,
Os 300 anos da família Gurgel no Nordeste não foram comemorados. Foi-se com o Jarbas, a quem rendo homenagem, um Gurgel como tantos outros, inclusive eu, que teve acendrado amor pela causa da família, como instrumento do desenvolvimento humano e da história da humanidade.
(*) JB Serra e Gurgel (Acopiara) é jornalista e escritor 
serraegurgel@gmail.com

OTÁVIO SANTIAGO (1925 - 2017)

Em seu Gente de Mídia, o comunicador e blogueiro Nonato Albuquerque lamentou a recente morte de Otávio Santiago (foto), um dos nomes mais conhecidos da seresta cearense.
Nascido em 4 de setembro de 1925, em Niterói (RJ), Francisco Otávio Santiago de Freitas chegou a Fortaleza com apenas um ano de idade.
Dono de uma voz privilegiada, na década de 1940, embalava as noitadas boêmias de Fortaleza e cantava em programas de auditório das rádios locais.
Conheceu personalidades de destaque da nossa música popular como Lauro Maia, e viu surgir Evaldo Gouveia e seu Trio Nagô que alcançaram fama internacional.
Andando por este país como cantor, Otávio Santiago fez parte do quadro de artistas da Rádio Nacional, conviveu com Vicente Celestino, Nelson Gonçalves, Linda Batista, Ângela Maria, Cauby Peixoto e Orlando Dia, gravou pela Mocambo (selo da Fábrica de Discos Rozenblit, em Recife) e cantou, na noite paulistana, ao lado de Altemar Dutra e de Noite Ilustrada.
Anos depois, retornando a Fortaleza, abriu na avenida Beira-Mar o seu aconchegante Santiago Drinks, bar e ponto de encontro dos músicos e cantores de nossa cidade.
Interpretando as canções "Rosa de Maio", de Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, e "Única Rima", de Silvio Caldas e Orestes Barbosa, em 2006, Otávio Santiago participou do álbum (CD) A ERA DO RÁDIO CEARENSE.
Em 2015, recebeu em sessão solene na Assembleia Legislativa do Ceará, por proposta do Prof. Pinheiro, o título de Cidadão Cearense.
Vídeo
Aqui Otávio Santiago interpreta "Cais do Porto", do pernambucano Capiba. Um fonograma do colecionador Nirez, que Luciano Hortencio postou em seu canal no YouTube.

ESTÓRIAS DE ZÉ TÓ (O TO... LERÂNCIA ZERO DE ACOPIARA)

por JB Serra e Gurgel
jornalista e escritor, nascido em Acopiara-CE

Em todos os grupos há pessoas que se destacam por seus gestos e atitudes.
De certa forma, o Ceará é pródigo nos tipos que se caracterizam por respostas prontas e espontâneas para perguntas ingênuas ou idiotas. Três referências ganharam notoriedade. Uma nacional, Paula Ney, poeta e boêmio. Outra estadual, Quintino Cunha, piadista e frasista. Outro local, seu Lunga, no Cariri, tido como "toupeira ambulante", "tolerância zero", "saraiva".
Em Acopiara, temos o nosso, José Gurgel da Silva, Zé Tó, que não sofreu a influência de Quintino Cunha, que por lá passou.
Cresci vendo Zé Tó na sua loja, na Rua Marechal Deodoro. Ficava intrigado com o nome. Até bem pouco tempo nem sabia que era Gurgel. Imaginava eu tratar-se de membro de uma família judia, Toh, que se "diasporou" e foi bater em Lages, depois Afonso Pena e hoje Acopiara. Ignorância minha, certamente. Era de estatura mediana, meio gordo e careca. Vestia-se com sobriedade, ria pouco, mas era querido e estimado. Por trás de uma aparente carranca, estava ele, generoso, simples, humilde, solícito.
Aqui vão algumas de suas estórias,que estão no imaginário de muitos e no anedotário da cidade, recuperadas numa conversa com meu pai, Nertan, tios Nilo, Napoleão e Nicanor, primos de Zé Tó.

1. Primo de Nicanor Gurgel, tratava-o bem. Mas, um dia, um freguês comprou uns armadores de rede na loja dele. Ao passar na sua, perguntou, já sabendo, onde comprara. Diante da resposta, não deixou barato:
— Os armadores do Nicanor não prestam, são feitos com grampos de fixar os trilhos nos dormentes na estrada de ferro.

2. Um freguês entrou na sua loja, viu uma pilha de pedra de amolar e afirmou que queria a de baixo que lhe parecia mais dura. Para a exigência, uma dissuasão:
— Pode morder da primeira até a última que todas são duras.

3. Para outro freguês que também exigiu a pedra de baixo da pilha, uma sugestão:
— Volte depois, primeiro vou vender as de cima.

4. Celso Albuquerque de Macedo, nosso historiador oficial, deu outra versão para a venda de pedras de amolar.
— O sr. só examinará a última pedra quando forem vendidas as outras que estão sobre ela.

5. Certo dia, ao falar rápido com um freguês foi por ele aparteado, assinalando que estava cuspindo-o, e que precisava abrir um guarda-chuva, explodiu:
— Quem está cuspindo é o c. de sua mãe.

6. Diante de uma freguesa que lhe pedia para mostrar peças de tecidos, começou a coçar os olhos por debaixo dos óculos que usava e foi por ela aconselhado:
— Tire os óculos, seu Zé, para coçar os olhos.
— Minha filha, quando você coça a virilha tira as calcinhas?

7. Chegou a casa com carne de porco, costela, pernil e cabeça. Sua empregada lhe perguntou o que fazer com a cabeça.
— Bote no chiqueiro e dê um litro de milho para ela.

8. Foi à agencia do Banco do Brasil levando na mão uma penca de bananas. Depositou cheques e sacou dinheiro. O caixa quis saber o que desejava fazer com as bananas.
— Depositar. Você deposita pra mim.

9. Entrou na farmácia e a vendedora, sua conhecida, se surpreendeu:
— Padrinho, o sr. está sentindo alguma coisa?
— Se eu entrasse num cemitério seria por que estava morto?

10. Alguém de suas relações lhe disse:
— Zé , está me dando uma coisa...
— Então, receba.
— Mas é uma coisa ruim demais...
— Então, não receba.

11. Um freguês chegou na sua loja com um pacote de fazenda comprada nas Casas Pernambucanas. Queria comprar brim.
Ele tomou o pacote, abriu e começou a rasgar a fazenda comprada, dizendo que não prestava, era de baixa qualidade etc. e tal
O freguês, aperreado, deixou o pacote, foi embora e desistiu do brim.

12. Um amigo seu queria vender um sitio e um açude.Disse-lhe que o açude era tão bom que até passava água por cima.
Reagiu que não prestava, pois só seria bom se passasse água por baixo....

13. Outro comprou um cavalo de um cigano, no tempo em que os ciganos passavam por Acopiara vendendo cavalos roubados. Mais tarde, descobriu que o cavalo era cego e se queixou a Zé Tó.
— O que o cigano lhe disse quando vendeu?
— Que o cavalo tinha um defeito na vista.
— Então, está tudo esclarecido.

14. Um freguês, conhecido por ser mau pagador, chegou na sua loja e pediu uma rede boa e grande. Mostrou-lhe uma pequena e ruim. O cidadão insistiu que queria uma rede boa e grande.
— Então, vá primeiro pagar suas contas no comércio, pois não lhe vendo nem boa nem ruim, nem grande nem pequena.

15. Um freguês chegou na sua loja pediu um chocalho grande. Trouxe-o. O cidadão se pôs a badalar o chocalho, para ouvir bem alto o som. Irritado, reagiu.
— Está chamando seu pai ou sua mãe?

16. Vinha subindo a rua da Escadinha, onde morava, trazendo um balde de leite. Alguém se aproximou e perguntou:
— Isso aí é leite, seu Zé Tó?
— Era.
Virou o balde e derramou o leite na rua.

17. Doutra feita, estava consertando o telhado de uma casinha, substituindo as telhas quebradas.
— Seu Zé Tó, o sr. está colocando telhas novas?
— Não, estou quebrando as velhas.
Enfiou o pé nas telhas quebrando o que restava de bom.

18. Uma senhora que vendia pequi nas casas em Acopiara chegou a casa de Zé Tó que estava na varanda.
— Quer pequi, Tó?
— Deixe de ser besta, me respeite.
Na realidade, diz-se que ela indagava era "Quer prequi, Tó?". (O cacófato para os cearenses mais antigos é um palavrão.)

19. Um cidadão quis alugar uma casa do Zé Tó. Mandou que passasse domingo, às 9 horas, em sua casa. Quando chegou encontrou Zé To merendando. Zé To não se perturbou. Ante à indecisão do futuro inquilino, explodiu:
- Resolva. Ou merendo ou alugo o prédio. Não posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Dessa forma, Zé Tó se transformou num personagem referencial da cidade por suas observações, respostas e considerações desconcertantes

RÁDIO GASOSA

A Rádio Gasosa fazia parte do programa de reabilitação desenvolvido pelo Sanatório (de Maracanaú). O técnico de laboratório Raimundo Guimarães Ribeiro (que trabalhou no Sanatório, depois Hospital Municipal de Maracanaú, no período de 1981 a 2003) nos relata como surgiu e como funcionava a Rádio Gasosa:
A Rádio Gasosa surgiu por iniciativa dos próprios pacientes que participavam do curso de rádio técnico que existia no Sanatório. Havia uma grande necessidade de comunicação entre os pacientes e por isso montaram a Rádio. Quem implantou essa Rádio foi um paciente conhecido por "Deca". Funcionava no terceiro andar do prédio e apresentava as mesmas características das rádios da época: oferecimento de músicas, recados, transmitia um programa educativo que falava dos cuidados para saúde, organizavam show ao vivo. Nesse período, tivemos como convidados a cantora Aíla (Ayla) Maria, Moacir Franco, Irapuan Lima e o "Rei do Baião" Luiz Gonzaga. O nome "Gasosa" foi devido a um exame (tratamento) muito comum na época,chamado de pneumotórax, que consistia em encher o pulmão (espaço pleural) de ar. Os pacientes sempre diziam: "Tá cheio de gás". "Já vai tomar uma gasosa". Como o "Deca" que trabalhava na Rádio fazia sempre esse exame, daí a origem do nome Rádio Gasosa (RIBEIRO, R., 2003).
Quando cheguei no Sanatório, a Rádio Gasosa já estava sendo desativada. Isso porque, antes, o paciente passava muito tempo hospitalizado, e assim, oferecia condições para cuidar do seu funcionamento. Com a descoberta de drogas mais eficientes para o tratamento da tuberculose, a permanência hospitalar diminuiu, e a Rádio Gasosa foi se desfazendo, em razão da alta dos pacientes que a idealizaram e a mantinham em funcionamento. A rotatividade dos pacientes internados aumentou e, com isso, a Rádio Gasosa foi aos poucos deixando de funcionar (CARDOSO, N.). Os grifos são meus.
Fonte:
Hospital Municipal de Maracanaú: reflexos das políticas nacionais de saúde em meio século de história / [Maria Abreu Barbosa (Coord.) et al.]. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 298 p.:il. color. – (Série I. História da Saúde no Brasil) ISBN 85-334-0844-7

O DIRETÓRIO ACADÊMICO XII DE MAIO

Em uma casa na Rua Alexandre Baraúna, bem perto do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Ceará (UFC), no bairro Rodolfo Teófilo, funcionava o Diretório Acadêmico XII de Maio. Era o local em que os acadêmicos da Faculdade de Medicina, nas décadas de 1960 e 70, se reuniam com finalidades sociais, esportivas, culturais e políticas.
Tendo sido aluno da Faculdade de Medicina, de 1966 a 1971, o período em que também frequentei o Diretório Acadêmico, por ora não disponho de informações consistentes sobre por quanto tempo mais esta entidade continuou a existir. Uma página no Facebook de um Centro Acadêmico XII de Maio (v. logo CA), a entidade que atualmente representa os estudantes de Medicina da UFC, leva-me a concluir que o Centro tenha sucedido ao Diretório.
O Diretório mantinha um curso pré-vestibular (cursinho) dos mais acreditados em Fortaleza. Todos os seus professores eram alunos dos anos mais adiantados da Faculdade de Medicina. Em 1965, quando fui aluno deste cursinho, lecionavam nele o Valter Justa, o Dalgimar Menezes, o Sombra e o Martinho, entre outros. As aulas eram dadas em salas temporariamente ociosas da Faculdade, e acredito que o Diretório Acadêmico auferia uma boa renda com o funcionamento do seu cursinho.
Em 1966, o meu colega Paulo Cid, que passara a dirigir o curso pré-vestibular, convidou-me a substituir o professor de Química do cursinho, o que fiz durante um mês.
No Diretório Acadêmico XII de Maio havia jogos de salão (xadrez, dominó e tênis de mesa) e uma vitrola com uma coleção de discos de vinil. Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo e Sérgio Ricardo eram os compositores/cantores dos "bolachões" mais requisitados. Em raras ocasiões, acontecia uma festa regada a bebidas alcoólicas (cerveja e rum), de padrão bem comportado em comparação com o que é visto numa rave atual.
Um rapaz de nome Gerôncio era quem cuidava da casa. Ele tocava um violão meio "quadrado", aplicando vigorosas batidas em suas cordas de aço.
O psiquiatra Josué de Castro, em artigo no Diário do Nordeste, escreveu que o Diretório Acadêmico realizava magníficos congressos nos Clubes Náutico e Líbano, promovendo uma extraordinária integração dos estudantes e professores com a sociedade.

TIBÚRCIO GURGEL, UM PATRIARCA DO OESTE POTIGUAR

Olá, Paulo!
Me chamo Lucianno e sou descendente da família Gurgel. Toda a minha família é de Mossoró-RN e tem ligação com o Coronel Gurgel, conhecido por ter sido refém de Lampião. Estou interessado em ver se os nomes dos meus avós, tios e da minha mãe constam nesse documento que você tem guardado.
Aguardo seu retorno.
Abraço.
Att,
Lucianno Gurgel
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Retorno
Fonte: NA TRILHA DO PASSADO, de Aldysio Gurgel do Amaral
BLOCO 18 (páginas 213 - 223)
TIBÚRCIO VALERIANO GURGEL DO AMARAL, n. 14/04/1843, na "Fazenda Porteiras", em Aracati, Ceará. Emigrou para o Oeste Potiguar onde fundou a propriedade Brejo do Apodi, encravada no atual município Felipe Guerra. Cc. s/ sobrinha CAETANA GESUMIRA GURGEL DE OLIVEIRA; são pais de:
F. 1 - MARIA GURGEL DO AMARAL
F. 2 - JOSÉ GURGEL DO AMARAL
F. 3 - ANTONIO (VALERIANO) GURGEL DO AMARAL, n. 12/12/1872, em Caraúbas, RN. Foi comerciante, prefeito em Natal (a confirmar por outras fontes) e também proprietário rural no Oeste Potiguar. Viajando de Mossoró para Caraúbas e Brejo do Apodi foi aprisionado por Lampião em 12/06/1927 e mantido refém por 17 dias. Quando foi solto recebeu 2 moedas de ouro oferecidas por Lampião para sua neta YOLANDA GURGEL GUEDES. Cc. s/ prima MARIA AMELIA DE OLIVEIRA; são pais de:
-------N. 1 - RAIMUNDO FERNANDES DE OLIVEIRA GURGEL, n. 30/05/1898. Cc. s/ prima SEBASTIANA BRITO GURGEL; são pais de: ZULEIDE, ISNARDO, MARIA ISABEL, PAULO, JOSÉ CARLOS E GRAZIELA
-------N. 2 - HELENA OLIVEIRA GURGEL. Cc. JAIME GUEDES, funcionário do Banco do Brasil, em Mossoró. Ocupava a função de gerente quando do ataque de Lampião àquela cidade. Tomou providências para salvaguarda do numerário e elaborou extenso e bem redigido relatório à direção central do Banco. Referido documento constitui hoje acervo do Documentário Histórico do Banco do Brasil. O casal deixou cinco filhos (não citados na fonte).
-------N. 3 - MARIO DE OLIVEIRA GURGEL, n. 1901. Cc. s/ prima ADALGISA GURGEL; são pais de EDUARDO ANTONIO GURGEL
F. 4 - PAULO GURGEL DO AMARAL
F. 5 - JOEL GURGEL DO AMARAL
F. 6 - QUITÉRIA GURGEL DO AMARAL
F. 7 - TILON GURGEL DO AMARAL
F. 8 - ALCIDES GURGEL DO AMARAL
F. 9 - TIBURCIO GURGEL FILHO
F. 10 - FAUSTO GURGEL DO AMARAL
F. 11 - CLOTILDE GURGEL DO AMARAL
F. 12 - FRANCISCO GURGEL DO AMARAL
F. 13 - FILOMENA GURGEL DO AMARAL
F. 14 - CAETANA GURGEL DO AMARAL

UM SACO DE GATOS E OUTRO

O livro "Um saco de gatos" é o resultado da compilação de escritos publicados em um site chamado "Saco de Gato", que ficou no ar de 2006 a 2008 e, posteriormente, dos posts de um blog homônimo hospedado no Blogger, de 2008 até a presente data. Publicado em 2014, reúne uma série de pensamentos, crônicas, resenhas e críticas ora organizadas, ora escritas pelo médico Winston Graça.
Em 2016, o autor retornou com "Outro saco de gatos". onde se tem acesso a poesias, crônicas, críticas, comentários, impressões de viagens, haicais, aforismos e pensamentos, acrescidos de posts mais recentes do seu blog e das redes sociais, que o autor julgou merecedores de serem repassados em livro.
Os escritos do segundo livro obviamente dão continuidade a outros de mesmo estilo do primeiro livro.
Em 1º de junho de 2012, dediquei a nota Saco de gatos a Winston Graça, o meu colega que tanto cultiva esta expressão idiomática.
Saco de gatos
É o mesmo que balaio de caranguejos.
Diz-se de governo, partido político, ou sociedade em que ninguém se entende e todos se hostilizam.
Exemplo:
"Quando cheira a poder aparecem todos juntos, para logo a seguir voltarem a ser um saco de gatos."
Bichanos, quando estão confinados (num saco, por exemplo), ficam muitos estressados. E distribuem a esmo unhadas e dentadas.
Daí, certamente para melhorar a convivência entre eles, foi que alguém teve a estupenda ideia de criar um... rack de gatos.
Blog EntreMentes
Rodapost
Em 2007, iniciei uma jornada inversa à do colega Winston. Ao criar o Preblog, destinado a divulgar em meio eletrônico os meus textos literários escritos nas décadas de 1980 e 90. Inicialmente, postando os textos que eu havia publicado em livros, revistas e jornais e, na sequência, os textos inéditos e os novos textos que fui escrevendo a partir de anotações arquivadas. Atualmente, na referida página eletrônica, publico mensalmente uma compilação de notas metidas a literárias, originalmente postadas em EntreMentes e Linha do Tempo.
Em 2009, o colega Lúcio Alcântara lançou o livro "Blog de Papel", um registro em papel dos textos que ele publicou em quase dois anos de seu Blog.

A CAPITAL DA RAPADURA

A cidade de Pindoretama é também conhecida com a Capital da Rapadura. Nas margens da CE-040, no trecho da rodovia que atravessa o município, as pessoas que trafegam entre Fortaleza e as praias do litoral leste do Ceará se deparam com um grande número de engenhos.
Um deles é o Complexo Tradição, que fica no Km 48 da rodovia, o qual foi motivo de reportagem ao fazer em 2013 "a maior rapadura do mundo". (*)
O Portal de Messejana (vídeo) informou que essa rapadura gigante foi produzida a partir de 60 toneladas de cana. Obtendo-se do processamento dessa cana uma rapadura com 4 metros de comprimento, 2 metros de largura e 30 centímetros de altura, e que pesou 4,5 toneladas.

Os engenhos de rapadura, ao que tudo indica, originaram-se nas Ilhas Canárias e existem no Nordeste brasileiro desde o século 17. No Ceará, destacam-se os das regiões do Cariri e da Serra do Ibiapaba. Em Pernambuco, os engenhos de rapadura se concentram no Sertão, sendo os municípios de Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde os maiores produtores. Na Paraíba, os dois grandes polos são a região do Brejo e o Sertão.
No início, suas moendas eram de madeira e movidas a água ou tração animal (cavalos e bois). No século XIX, surgiram as moendas de ferro, usando-se ainda o mesmo tipo de tração. Depois os engenhos evoluíram passando a ser movidos a vapor, óleo diesel e finalmente a eletricidade.
O Matraqueando dá a receita da rapadura:
Primeiro, a cana é moída e depois levada ao fogo. Os tachos borbulham por horas. O caldo dourado é remexido sem parar até atingir o ponto ideal de "mel", quando então é transferido para um panelão, onde cozinha mais um pouco até começar a se soltar do caldeirão. A finalização tem que ser rápida para que a "massa" não endureça antes do tempo. Formas de madeira recebem o doce que, em pouco mais de 15 minutos, está pronto para o consumo.
Em seu livro "Sociologia do Açúcar", Câmara Cascudo diz que "a rapadura foi o doce das crianças pobres, dos homens simples, regalo para escravos,cangaceiros, vaqueiros e soldados".
A rapadura está presente na mesa do sertanejo. É o adoçante do café, do leite, da coalhada. É consumida com farinha, mungunzá, carne de sol, paçoca, cuscuz, milho cozido. Não há casa sertaneja sem farinha e rapadura.
Apesar disso, uma empresa alemã (sem qualquer tradição no ramo) chegou a registrar, algum tempo atrás, nos escritórios de marcas e patentes da Alemanha e dos Estados Unidos, a marca "rapadura". Mas depois, graças à firme intervenção do governo brasileiro, a empresa desistiu de reclamar a propriedade do termo genérico deste produto que é tipicamente nordestino.
(*) Este título em poder de Pindoretama é contestado por Santa Cruz da Baixa Verde, em Pernambuco, onde fizeram uma rapadura de 5 toneladas, em 2009.
Fontes
http://www.matraqueando.com.br/tag/engenho-tradicao-pindoretama
https://youtu.be/xV9f_RgcNp8  4,5 ton 2013
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&id=263
http://extra.globo.com/noticias/economia/empresa-alema-retira-registro-da-marca-rapadura-547185.html
https://youtu.be/esgdvkT4jVY

SCRIPT PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO "HUMOR NA CASERNA"

José Luciano Sidney Marques (*)
Cerimonialista: Senhoras e senhores, boa noite. É com muita satisfação que, neste momento, damos início à solenidade de lançamento do livro "Humor na caserna", de autoria do coronel José Luciano Sidney Marques.
Humorista: Desafasta todo mundo. Para tudo. Pessoal, boa noite! Não me convidaram para esta festa. Como eu ia passando nas proximidades, ao tomar conhecimento pelo "zap-zap" de que aqui seria lançado um livro de fofocas, resolvi entrar.
Cerimonialista: Eu não estou entendendo nada.
Humorista: E não é para entender mesmo.
Cerimonialista: Convidamos o autor do livro para ocupar seu lugar no palco.
Humorista: Um momento! Já que o livro é de autoria de um militar, não é assim que se fala. O correto é dizer: o autor, dois passos em frente, marche!
Cerimonialista: A senhora não acha que está passando dos limites? Será que ainda não percebeu que está abusando da minha boa vontade!
Humorista: De maneira nenhuma. Meu Deus! O autor é o doutor Luciano, meu conterrâneo lá de Quixeramobim. Que prazer! Doutor Luciano, como é o nome do livro que o senhor está lançando?
Dr. Luciano: "Humor na caserna".
Humorista: Ah! Humor na caverna. que título esquisito! Naquele tempo das cavernas, na idade da pedra, no tempo do Brucutu não havia humor, havia muito era porrada.
Dr. Luciano: Eu não falei humor na caverna, falei "Humor na caserna".
Humorista: O senhor está insinuando que eu não sei o que é caserna? Errou. Aliás, eu adoro dar umas voltinhas na caserna em dia de solenidade. É tanto homem parrudo! Aproveitando o ensejo, fale um pouco sobre este livro.
Dr. Luciano: Eu comecei a idealizar esse livro, após passar para a reserva remunerada do Exército Brasileiro, em 2003. Aqui estão retratados cem causos engraçados ocorridos no ambiente austero dos quartéis, ao longo de 31 anos de carreira militar.
Humorista: Quer dizer que tem muita mentira espalhada nas folhas desse livro!
Dr. Luciano: Alto lá! São fatos verdadeiros. Da maioria deles fui protagonista; de outros, coadjuvante ou mero espectador.
Humorista: A propósito, doutor Luciano, hoje em dia é muito fácil fazer um livro. O governo dá tanto incentivo à cultura que qualquer zé-ninguém lança um livro com a maior facilidade. São muitas as leis de incentivo ao autor, senão vejamos algumas: lei do menor esforço, lei de Gerson, lei da gravidade, lei de Chico de Brito, lei Juruna e lei seca. É mole ou quer mais?!
Cerimonialista: O escritor Saraiva Junior suba ao palco, por favor.
Humorista: Venha cá, Saraiva Junior! Deixa de timidez! Bota aqui o seu pezinho bem juntinho com o meu! Eu sei que você vive gabando de ter escrito um livro sobre o Mozart, inesquecível jogador do Ceará. Saiba que seu livro contém 282 páginas de pura enrolação, pesquisa de jornal e nada mais. resumindo: um livro feito nas coxas. Eu sim posso bater nos peitos já que escrevi uma obra de 900 páginas intitulada "Zé Beréu, uma trajetória quieta no futebol", que carrego aqui comigo. Nela, está narrada a trajetória de Zé Beréu, o maior craque de todos os tempos de Quixeramobim e adjacências. Durante 10 anos percorri as brenhas de Quixeramobim, Quixadá, Itatira, Madalena, Ibicuitinga e Banabuiú, coletando dados históricos sobre esse grande jogador. Atenção, galera! Olhando bem para os dois livros, são parecidos ou não? Pessoal, isso aqui é plágio ou não é? Qual é o original? O de 282 páginas ou o de 900 páginas? Tem vergonha não, homem!
Cerimonialista: Tentando dar continuidade ao evento, vamos agora...
Humorista: Eu ainda não terminei de vender meu peixe. Mudando um pouco de assunto, vocês viram a decisão do supremo sobre biografias não autorizadas? Uma boa. Adooorei! Agora vou me dedicar a escrever biografias de gente famosa. Vou arrasar. Se cuida, Fausto Nilo! Aquele seu antigo affair com a Dorothy Lamour, guardado a sete chaves, será contado tintim por tintim.
Cerimonialista: O senhor já acabou de vender seu peixe para que eu dê prosseguimento ao evento?
Humorista: Ainda não. Vou aproveitar para falar sobre um assunto que não tem nada a ver com livros, mas é bastante relevante. Vocês sabem qual foi o maior legado da Copa do Mundo aqui no Brasil? Um doce pra quem acertar.Foram os estádios? Foram as avenidas? Foram os viadutos? Foi o metrô? Foi o VLT? Nada disso. Foi o Zika vírus, gente, que ficou por aqui de lembrança e está barbarizando a saúde pública brasileira.
Cerimonialista: Queremos destacar a presença das seguintes personalidades...
Humorista: Deixe de ser pretensioso e me dê a lista dos convidados, por favor. Gente, que tragédia, não foi convidada nenhuma autoridade local ou nacional. Temos de convir que, no momento, não há clima. Com o desdobramento da Lava-Jato, o negócio está mais para urubu do que para beija-flor e ninguém quer se expor aqui publicamente. Vamos às personalidades internacionais. Deixe eu ver aqui... ah! O Barack Obama, pessoal, lamentavelmente não vem. Enviou mensagem justificando sua ausência pelo pavor de ser acometido por mazelas como dengue, Zika ou Chikungunya. Vejamos agora... O Papa Francisco. Também não vem. Justificou que ainda está devendo a primeira viagem à Argentina. Aqui para nós, eu acho que está esperando que termine o mandato da Cristina Kirchner para visitar seu país natal. Aquele líder doidinho da Coréia do Norte, o Kim Jong-un, também não vem porque foi vetado pelo governo brasileiro. Imaginem que ele queria trazer uma bomba de nêutrons a bordo do seu avião. Quem mais? O Vladimir Putin. Este também não vem. Ele ficou "putim" porque o Barack Obama foi convidado.
Cerimonialista: Ufa! Neste momento convidamos o dr. Paulo Gurgel para fazer o lançamento do livro "Humor na caserna".
Humorista: Calma! Deixa comigo! Gente, neste momento, vou convidar o doutor Paulo Gurgel para fazer o lançamento do livro Humor na caver..., digo, na caserna. Doutor Paulo, antes de passar a palavra para vossa excelência, gostaria de dizer, e isto aqui é cultura geral, que, nestes tempos de crise, já estão utilizando papel higiênico reciclado para imprimir livros. Além de ser uma medida política e ecologicamente correta, os livros já saem com o inconfundível perfume de gardênia.
Cerimonialista: Está encerrada esta tumultuada cerimônia. Pedimos desculpa a todos pelos constrangimentos aqui verificados. Convidamos os presentes para o coquetel que será servido dentro de alguns minutos.
Humorista: Atenção! Ainda não acabou. Após comandar esta solenidade com muita classe, aproveito a oportunidade para dizer que o meu livro se encontra à venda na bodega do Bigode, no Tancredo Neves; no botequim da Josefina Grossa, na favela do Pantanal; na mercearia do Rolando Catarrinho, no Bom Jardim, lá no território da paz; no mercadinho do Penisvaldo, no Pirambu, e na bodega do Zebedeu, lá na Loquinha do Amor, em Quixeramobim. Bye! Bye! Gente.
(*) Sidney Marques nasceu em Quixeramobim-CE, no ano de 1951. Formou-se em medicina pela UFC, em 1977. Ingressou na carreira militar em 1988, passando para a reserva remunerada do Exército Brasileiro em 2003, no posto de coronel. É membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, regional do Ceará, e da Academia Cearense de Médicos Escritores. O texto acima publicado faz parte de seu último livro, "Humor em prosa e verso" (p.92-96), lançado em 26 de maio de 2017. LINK

NAS TERRAS DO SENHOR MEU PAI

"Fale de sua aldeia e estará falando do mundo." Dostoievski
O livro NAS TERRAS DO SENHOR MEU PAI, de autoria de João Bosco Serra e Gurgel, trata das histórias e lendas de sua querida Acopiara. Não obstante o escritor, que é também jornalista e dicionarista, ter deixado com 10 anos de idade sua cidade natal, e sobrevivido "nas terras de outros senhores com o gene e o umbigo de Acopiara", para ele, bom acopiarense, esta cidade do sertão cearense é o centro do mundo.
No prefácio da obra, diz Francisco Jaime Gurgel:
"A estação ferroviária era um dos lugares preferidos pela sociedade, por casais de namorados que aproveitavam para espairecer e atualizar o bate-papo. Após a partida do trem, os abastados pegavam suas conduções, um grupo aguardava o caminhão do Lopíssimo para pegar bochecha, outros subiam a íngreme ladeira, manquitolando, investigando e, às vezes, se detendo, por curiosidade, à porta de algumas bodegas, e se espantar com o fartum da cachaça, o cheiro acre e a fumaraça desprendidos pelos lasca-peitos."
Pois bem, esta estação e o trem, partícipes que são de algumas das histórias de NAS TERRAS DO SENHOR MEU PAI, mesmo que tenham morrido ainda é como estarem vivos, por artimanhas da arte da reprodução gráfica. De elementos pictóricos que compunham um quadro (de autor ignorado), na parede da casa de seu primo Luiz Gurgel Brasil, o trem de ferro e a estação de Acopiara foram reviver na capa do livro de narrativas de JB Serra e Gurgel.